A interpretação do Sonho – Parte I

“Sonhar mais um sonho impossível”


Chico Buarque e Ruy Guerra

Este texto traz um brevíssimo resumo da obra máxima de Sigmund Freud, no que concerne à Metapsicologia e à Formação dos Sonhos. A Metapsicologia é desenvolvida no tão famoso Capítulo VII do livro. Mas, afinal, o que é Meta? A palavra “Meta” implica no que está para além, algo que se captura fora. Ou seja, o que é que se captura fora da teoria da psicologia que Freud propunha? O que se percebe, se capta, além do que ele deixa em seus escritos?

Contemporâneo das pesquisas laboratoriais de psicologia fundadas por Wundt, e também por Helmholtz e Fechner, que visavam estudos da consciência, introspectivos e comportamentais, Freud propõe uma epistemologia própria, uma vez que a psicanálise teria por objeto de estudo o inconsciente, evitando a ruptura entre os estudos de ciências naturais e ciências do espírito, denominando-a como ciência da natureza por seu caráter universal (ALBUQUERQUE, 2013). Assim, postula-se que os registros constitutivos da metapsicologia são: tópico, econômico (movendo-se do ponto de vista da intensidade), e dinâmico, se articulando.

A hipótese de dois sistemas psíquicos são: Primeira Tópica em 1900 – Inconsciente, Pré-Consciente e Consciente; e Segunda Tópica em 1920 – Id (Isso), Ego (eu) e Superego (supereu).

Se você deseja aprofundar seus estudos em Metapsicanálise, pode buscar mais conhecimento nos seguintes textos: As pulsões e seus destinos; O Recalque; O Inconsciente; Luto e Melancolia; Suplemento Metapsicológico; e o próprio livro A Interpretação dos Sonhos, como foi inicialmente traduzido para o português, e que algumas traduções já corrigem para A Interpretação do Sonho. Se o seu desejo for aprofundar-se, tente: Formulações sobre os dois princípios do funcionamento mental (1911); Introdução ao Narcisismo; Além do Princípio do Prazer; O eu e o Isso; Algumas considerações para um estudo comparativo entre paralisias motoras e orgânicas e histéricas (1891); O projeto para uma Psicologia Científica; Sobre a transitoriedade; Seminário XI de Lacan; bem como sugere O Discurso Melancólico de Marie Claud Lambot.

A Interpretação dos Sonhos oferece conteúdos importantes para a compreensão do conceito de Inconsciente e seria o pontapé inicial para o entendimento de uma metapsicologia.

Voltando ao livro, no capítulo Regressão (B) (1900[2001]), obtemos o resumo das 514 páginas anteriores no que diz respeito à formação dos sonhos, segundo o próprio Freud:

“Os sonhos são atos psíquicos tão importantes quanto quaisquer outros; sua força propulsora é, na totalidade dos casos, um desejo que busca realizar-se” (tema tratado nas páginas 136-145 do cap. III do mesmo livro).

O fato de os sonhos não serem reconhecíveis como desejos, bem como suas múltiplas peculiaridades e absurdos, devem-se à influência da censura psíquica a que foram submetidos durante o processo de sua formação. Além da necessidade de fugir a essa censura, outros fatores que contribuem para sua formação são:

a) a condensação de seu material psíquico;
b) a consideração de sua representabilidade em imagens sensoriais; e, embora não invariavelmente,
c) a demanda de que a estrutura do sonho possua uma fachada racional e inteligível.

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