Este texto segue a orientação de trazer um pequeno resumo e comentário sobre a proposta dos Grupos Operativos. Tenho a intenção de relembrar este importante ato que é o questionar. Autores questionam autores. Teses levantam hipóteses, e é assim que costuramos saberes.
Questionar a Psicanálise, sua concepção de homem e de mundo, e o objeto de sua preocupação será os processos sociais e históricos. Pichon-Rivière constrói sua trajetória da Psicanálise à Psicologia Social, afirmando a inter-relação dialética entre homem e meio, além da articulação entre a dimensão psíquica e o sistema social. Ele forja a noção de vínculo e das tramas vinculares como aquilo que sustenta/produz o processo de subjetivação, que seria, portanto, indissociável das formações sócio-históricas (Pichon-Rivière, 1988).
Para ele, era importante que o campo operativo da Psicanálise não se reduzisse à própria disciplina, mas se fortalecesse no convívio de diferentes saberes e práticas, constituindo-se de forma transdisciplinar (Pichon-Rivière, 1988; 2005).
Os Grupos Operativos propunham “aprender a pensar”, “romper estereótipos” e “elaborar ansiedades frente à mudança”, criando assim as condições para que palavras sufocadas tivessem lugar, ganhassem movimento e criassem sentidos para as práticas coletivas. O dispositivo Grupo Operativo emerge, então, como um organizador social de espaços de experiência, como espaço de mediação e desideologização.
O Grupo Operativo se consolida como uma utopia política: é na aposta da construção grupal que se produzem processos de autonomização dos sujeitos, por meio de uma experiência de gestão coletiva das diferenças postas em jogo pela tarefa que se propõe comum (Woronowski, 2003). Eles caracterizam-se por estarem centrados, de forma explícita, em uma tarefa, seja ela aprendizagem, terapia ou diagnóstico de dificuldades de uma organização profissional, grupos de criação, etc. Sob essa tarefa subjaz outra, implícita, que aponta para a ruptura, por meio do esclarecimento das pautas estereotipadas que dificultam a aprendizagem e a comunicação. A tarefa, objetivo ou finalidade do grupo, tem a função de ser um elemento disparador do processo grupal, é o ponto de partida para que o trabalho grupal comece. O grupo faz uma reflexão sobre a tarefa, observando os alcances e os sentidos que esta tem para cada um (Bauleo, 1983).
A tarefa supõe trabalho, muitas vezes significa sofrimento, mas também o prazer da criação. Para se pôr em posição de trocas dentro do grupo, o sujeito precisa renunciar a uma imagem de si como totalidade, permitindo que o outro adentre o seu mundo interno, tornando-se objeto de conhecimento do outro. Não por acaso, uma das questões com a qual Pichon-Rivière mais se deteve, ao pensar sua teoria dos Grupos Operativos, foi justamente o medo da mudança. Assim, segundo Pichon-Rivière, a tarefa consiste na elaboração de duas ansiedades básicas: medo da perda das estruturas existentes e medo do ataque na nova situação.
Para enfrentar as ansiedades geradas pelo movimento dos grupos, é necessário que se tenha, e se criem, instrumentos para enfrentá-la.
“Alguma coisa acontece no meu coração” Caetano Veloso Retomemos agora ao mito de Narciso. Quando penetramos no mito de Narciso, encontramos o jovem bonito que
“Viver pacientemente a Impaciência” Paulo Freire Neste pequeno texto resumo, tenho a intenção de relembrar que a Psicologia, enquanto ciência social, está em constante mutação,